Wednesday, November 01, 2006

OS MORTOS!

"Os mortos honram-se que os chorem e lhes levem flores. Mas querem, acima de tudo, que a gente viva como eles gostariam de viver."
Berthe Bernage

Liguei a televisão e os diversos noticiários, entrevistavam vendedoras de flores, em cemitérios. Uma delas estava indignada porque desde que se aderiu à Cremação, o negócio da venda de flores caiu muito...
Hoje, dia 1, é feriado porque a Igreja Católica, ao "ter" mais do que 365 Santos, decidiu criar um dia para homenagear todos os outros.
Amanhã, dia 2, comemora-se o Dia de Finados...
Logo, grandes romarias aos cemitérios, para cumprir a tradição e, já agora, levar flores...
Raramente entrei num cemitério e confesso que não é local de que sinta saudades...a primeira vez que entrei num era pequenina, tinha uns 4 anos e impressionou-me ver porem debaixo da terra a minha amiguinha de brincadeiras; já miúda, numas férias com primos, fiz pactos e cumpri rituais, como todos os miúdos, e tive que entrar num cemitério à noite, para ser aceite entre os mais crescidos..., na adolescência tardia, talvez influenciada por algum filme, dei uns beijos furtivos num cemitério e na idade adulta fui apenas a dois enterros, por amor ao vivo solitário que acompanhava o seu ente falecido.
Os cemitérios portugueses são feios e frios, independentemente da sua imponência, têm um ar abandonado de amor ou de saudade...qualquer Monumento aos Mortos tem um ar mais humano, de respeito pela memória...
Acho mórbido o negócio feito em torno da morte, seja a montante ou a juzante; por em presas ou familiares - detesto o cinismo que impera em muitos ceremoniais, num total desrespeito pelo ser a quem passam a levar flores, mas de quem muitas vezes espoliaram até a vida.
Apoio a Cremação dos corpos e incito a que tratemos com respeito e amor os que fazem parte da nossa vida - e sempre farão, na nossa memória.

Imortalidade? todos a queremos alcançar!
Memoráveis queremos ser,por feitos ou actos,
Ovacionados, odiados ou reverenciados,
Recordados por uma turba ou por um só ser,
Todos queremos sair do anonimato e saber:
Alguém nos vai chorar, parafrasear ou elogiar?
Lembrar como fomos ou quem amamos?
Invocar o nosso nome ou filosofia de vida?
Dizer que valeu a pena a nossa vinda
A um mundo onde tudo é efémero e vão?
Dizer que fomos únicos e distintos
E que somos eternos no seu coração?!

2 Comments:

Blogger alfazema said...

Gostei muito! Assino por baixo. Vou ser tua leitora assídua a partir de hoje.
Beijinhos

3:07 AM  
Blogger Um Poema said...

Cabe perguntar: Flores, porquê e para quê?... Quantas pessoas, que hoje se apressam a levar flores para o cemitério, não se esmeraram em semear cardos e a enfernizar a vida daqueles cuja campa enfeitam agora?... Há excepções, naturalmente. Mas são mesmo excepções.
Ofereçamos, antes, flores aos vivos e honremos a memória dos mortos.
Um abraço

9:32 AM  

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